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Vamos falar sério sobre garotas?

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Por Claudia Campanhã.

Tem um assunto serião que tem me incomodado pessoalmente nos últimos tempos. Me incomoda por representar um grande retrocesso do ser humano.

Empoderamento feminino. Sabe o que é? Explicando de uma forma muito simplista, é a busca pela igualdade de gêneros, através do RECONHECIMENTO do avanço das mulheres nas esferas política, social, econômica e religiosa, enfim…em todos os setores da sociedade .

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Essa busca, inclusive, é uma luta que não deveria nem existir se as pessoas tivessem respeito, educação, amor ao próximo e VALORES. Pensar que em pleno 2016, mulheres são recriminadas por amamentar em público; que garotas maiores de idade, independentes e solteiras não podem se sentar à mesa num bar para beber e conversar, sem sofrer assédio sexual e agressões de todo o tipo; que não podem se vestir como gostam porque isso “autoriza” todos os homens a desrespeitá-las, é a prova cabal de que estamos muito atrás do tempo das cavernas.

Alíás, por falar em  “tempo das cavernas”, você sabia que na pré-história, as mulheres não cuidavam somente da prole e da moradia, como sempre foi dito? De acordo com estudos publicados recentemente, o registro das atividades femininas nesse período  nada mais foram do que a expressão de valores patriarcais dominantes na ciência. Na verdade, mulheres desse época, fabricavam armas, eram responsáveis pelo deslocamento e abate de animais e também saíam à caça de comida, provendo o sustento do grupo.

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Alterar os acontecimentos históricos valorizando somente o que o homem fez, ridicularizar, menosprezar e subestimar a mulher, só nos leva  a perguntas como essas: Seria medo? Seria falta de inteligência? Insegurança? Baixa autoestima? Seria falta de Deus a justificativa para o não-reconhecimento das mulheres como um pilar que sustenta e colabora para o desenvolvimento, em todos os níveis, da sociedade?

Trazendo essa reflexão para os últimos fatos ocorridos aqui no Brasil, li um post curioso, a respeito do hit do carnaval 2016, da banda feminina (ou feminista?) intitulada Vingadora. De acordo com o blog, a música  ‘Metralhadora’, cuja letra diz “…as que comandam vão no ‘TRA…” caiu no gosto popular porque é divertida e coloca todo mundo pra dançar e não por causa da figura feminina à frente da banda.

E tem mais: o blogueiro reproduz uma entrevista surpreendente da vocalista Thays Reis, que explica porque a música fez tanto sucesso. De acordo com ela, a letra é justamente um manifesto contra o machismo no universo musical do ‘arrocha’, estilo muito popular no Norte e Nordeste do Brasil. Até o nome da banda, Tays atribui a uma espécie de desabafo, por ter sido ridicularizada pelos colegas músicos, quando entrou nesse segmento.

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Tomara que seja verdade, a justificativa de Thays. No mesmo sentido, lembrei também de uma entrevista realizada com o diretor do filme Frozen – Uma aventura congelante, Chris Buck. Ele atribui a repercussão do longa de animação ao fato de ser o primeiro desenho da Disney, que não tem uma princesa, que vive feliz para sempre ao lado de um príncipe. Ao contrário, no filme, aparece a primeira rainha heroína que vive feliz pelo que conquistou. Elsa, a personagem central, que vive reclusa no quarto do castelo por causa dos seus ‘poderes’,  é a preferida entre as meninas, enquanto Ana, princesa e irmã de Elsa, parece não fazer tanto o estilo das garotas. Isso, mesmo sendo Ana mais divertida  e tenha um namorado.

E não é que mesmo com o depoimento oficial do diretor,  teve gente que se revoltou contra isso e acusou a Disney de incentivar o lesbianidade por conta de Elsa ser feliz por ela mesma? Por que os homens ainda se acham indispensáveis para a mulher? Por que ainda se revoltam com o fato de uma garota escolher com quem fica? Por que denigrem a imagem daquela que chega ao topo no âmbito profissional?

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E essa história, do bar “Quitandinha”, de São Paulo, que expulsou do estabelecimento duas garotas que se recusaram a ceder aos abusos de dois homens que estavam no local, só porque eles eram clientes assíduos? Houve discussão e está rolando o maior buzz nas redes sociais. O bar continua concentrando seus esforços na defesa dos rapazes e assumiu a postura de que esse ocorrido não diz respeito a eles. Um garçom e o gerente, acionados pelas meninas quando aconteceu toda a situação, não fizeram absolutamente nada para defendê-las ou para intermediar o problema.

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Eis o tipo de discurso que não dá pra aceitar. Assim como também é absurdo termos uma polícia omissa em casos como esse. E se você pensa que isso acontece só com pessoas comuns, tem o exemplo de Taylor Swif, que há alguns anos ganhou o Video Music Awards, da MTV e que, em meio à premiação, viu o cantor Keyne West invadir o palco, querendo tomar o prêmio de suas mãos. Na ultima edição do Grammy Awards, Taylor se manifestou pela primeira vez sobre o ocorrido e incentivou em seu discurso, que as mulheres não se intimidassem diante de fatos como esse e que fossem protagonistas de sua própria história.

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Ao tocar nesse assunto, sei que serei rotulada como feminista, ou feminazi (termo bem chulo para mostrar a intolerância de alguns com relação ao empoderamento feminino). Mas quer saber? Para esses seres dispensáveis ao planeta Terra, uso a máxima da cantora Kate Nash:

“Feminismo não é um palavrão. Não significa que você odeia homens ou garotas bonitas com pernas bronzeadas. Também não significa que você é vadia ou otária. Significa que você acredita em igualdade.”

Pronto. Também falei.

Fotos: Reprodução.