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Querida vendinha

 

Por Claudia Campanhã

Era assim: diariamente, na saída da escola, o roteiro seguia sempre igual. Minha tia Edna saia de casa para buscar a mim e meu irmão no colégio e ao voltarmos para casa, religiosamente ao meio-dia, subíamos a rua dos Buritis, passando em frente à vendinha do japonês.

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O mundo encantador dos álbuns de figurinhas

Por Claudia Campanhã

Um hit  entre as crianças da década de 80 era colecionar álbuns sobre determinados temas e preenchê-los com figurinhas decoradas. A cada novidade das bancas de jornais, lá estava eu, com meus troquinhos, pronta para encher meus bolsos com pacotes gordinhos, cheios de “cromos autocolantes”.

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Esse é o álbum “Bem me Quer”, 1982 (ok, não precisa fazer as contas, eu tinha 6 anos na época). O álbum reuniu minha família toda em torno de um objetivo: completá-lo! E como era divertido esperar pela abertura de cada pacotinho…

Cultivar o hobby naquela época era para os fortes.  Conseguir trocados com a família envolvia muita esperteza, serviços diversos voltados à casa, horas de humilhação perante o irmão mais novo e um trabalho meticuloso de convencimento para que ele também contribuísse com a coleção.

Feito tudo isso, chegava a tão esperada hora de ir ao jornaleiro e torcer para que as figurinhas não fossem repetidas e que, de preferência, viesse no pacotinho pelo menos uma com aqueles efeitos especiais que mudavam a cada temporada. Primeiro vieram as figurinhas com hot stamping (aquela impressão prateada e dourada capaz de causar momentos de pura loucura), depois lançaram as aplicações texturizadas (com toque aveludado), os adesivos 3D (gordinhos, como os usados em scrap book, hoje em dia) e mais tarde, chegaram as holografias.

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Cláaaaaaaaassico ! Você tinha um namoradinho oculto na infância? Uma paixão platônica? Enviar sutilmente figurinhas com dicas de relacionamento madura era a dica em tempos sem Facebook e portanto, sem ‘cutucadas’…

E quando o bolinho de cromos iguais começava a crescer, tinha início o mercado negro das trocas, sendo que os mais raros poderiam valer 10  cromos comuns, ou mais. Existia também a “baixaria” dos campeonatos de ‘bater figurinhas’, sempre regados a desentendimentos, tapas e pontapés.  Enlouquecida que era, participava de todos esses movimentos, com grande dedicação. Ao invés de bater, preferia lançar a lancheira dos desafetos acima do telhado da escola, onde as ‘rinhas infantis’ aconteciam.

AMAR OK

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Quando alguém chegava com um bolinho desses na escola, dava até um arrepio!!! Imagine voltar pra casa com esse prêmio!!! Eu era boa na brincadeira. Tinha técnica e malandragem. Era uma figura temida entre as menininhas.

Doces lembranças de molecagem, de infância saudável e bem vivida! Hoje, o hábito já não é mais interessante para as crianças digitalizadas e seus pais super ocupados. Quem tem paciência de colecionar, colar cada figurinha no seu lugar, comprar pacotinhos novamente e assim, passar o tempo? Mamãe ou papai, também digitalizados, solicitam logo de uma vez à editora do álbum, um exemplar do livro e as respectivas figurinhas. Não há repetições, não há hobby. Mais uma das coisas que perdeu a razão de ser.

Mas para nós, balzaquianos que somos (sim, muitos tiozinhos lêem esse blog), ter álbuns de figurinhas era tudo de bom. E em nome dessa brincadeira é que resgatei algumas “antiguidades” guardadas gentilmente pelo Sr. Google…

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Objetos do desejo que representavam a ostentação e o poder nos círculos infantis. Ferramentas de alpinismo social que poderia garantir popularidade e status. Se você desse uma figurinha rara àquela professora que colecionava, rolava estrelinhas, e carimbos fofos na lição…

Fotos: Reprodução